Aleitamento Materno – Perseverança

6 meses de aleitamento materno e uma lata de leite.


Ah essa uma lata. Quanto transtorno, medo e desespero esta uma lata me trouxe.

Leia até o fim para entender como tirei o mito do Leite Fraco da cabeça.
Minha filha precisar de complemento? Logo eu, que tive o parto dos sonhos, minha filha passou amamentando lindamente por quase 2 horas assim que nasceu, que tinha uma pega linda e elogiada pelos profissionais de saúde? É, logo nós!

Como ser a melhor mãe que seu filho pode ter?

Quando saímos do consultório e a médica havia dito que a minha filha havia perdido peso só com o leite materno e que poderia precisar de complemento eu quase surtei. Não queria e não podia aceitar aquela opção. Aí começou a maratona: amamentar a cada 2h, por 20min, pelo menos, em cada mama, mais o tempo para arrotar/golfar e troca de fralda. Quando terminava já estava na hora de recomeçar. Ainda bem que meu nível de ocitocina estava bem elevado nestes primeiros dias. Depois de uma semana nesta nova rotina insana, ela começou a ganhar peso: 11g por dia! O mínimo era 20g! Acho que a médica viu e sentiu meu desespero cada vez que conversávamos sobre a bendita fórmula. Ela explicou que caso precisasse, seria algo temporário, que a prioridade sempre exclusivamente continuar amamentando com leite materno, e isso de certa forma foi me acalmando. Ela nos deu mais uma semana pra ver se o ganho de peso progredia. Minha filha passava dia e noite grudada no peito, e só ganhou 15g por dia! Ela com quase 1 mês de vida, não havia chegado ao peso de nascimento ( bebês perdem peso assim que nascem, e é normal). A médica nos informou as possibilidades e nos deixou escolher. A minha razão dizia para dar o complemento, mas meu coração dizia pra continuar só com o peito. Resolvi escutar a razão. Se é que isso seria uma coisa razoável….rs


Depois da decisão tomada, veio a grande questão: como ofertar. Mamadeira? Jamais! Item que não fez parte do enxoval, e nem dos meus planos! Morria de pavor só de pensar em uma possível confusão de bicos e minha filha largar o peito. Então, como ofertar? Copinho? Não rolou. Colher? Também não. A esta altura do campeonato o cansaço já estava batendo, e era preciso muita paciência para ofertar deste jeito. Resolvemos tentar com a sonda. Colocava uma ponta no seio e outra no pote com a fórmula. O esquema permanecia o mesmo. Oferta das duas mamas, depois a fórmula, arrotar/golfar, trocar fralda. Isso a cada 2h. O que antes já era complicado, ficou ainda mais, pois este esquema era dia e noite, e enquanto o meu marido trabalhava, eu ainda tinha que preparar a bendita fórmula e sonda. Ele fazia o que podia para facilitar o meu processo. Deixava a água fervida, separada nos potinhos com a quantidade certa, os utensílios esterilizados, e mesmo assim a coisa era insana.

Mas eu achava que estava firme e forte, como uma aroeira, mal sabia eu o que estava por vir. Uma bela noite o corpo simplesmente não aguentou. Tive uma crise de gastrite nervosa fortíssima, fui parar no hospital. Fui dentro do carro, chorando de dor e amamentando a minha filha. Levei a bichinha junto comigo pro PS (ainda bem que o hospital estava vazio), quando ela dormiu, entreguei pro meu marido, que deixou com minha sogra. Eu estava muito ruim pra ficar sozinha, e ele ficou comigo. Minha sogra levou minha filha pra casa, e no caminho passou na farmácia pra comprar uma mamadeira. Eu chorei mais ainda, de dor no corpo e dor na alma. Eu sabia que não teria outro jeito. Minha filha precisava se alimentar. Mas a sensação de fracasso, de impotência era tão grande, que no meu peito só tinha desespero. Como se já não bastasse eu ter que dar o complemento, eu não podia nem estar com a minha filha. Tive que delegar. Talvez esta tenha sido a coisa mais difícil pra mim. Voltei pra casa, minha filha havia tomado a mamadeira e dormido. Aí eu e a mamadeira começamos com um processo de adaptação. O meu primeiro impulso foi joga-la no lixo. Mas como meu corpo já havia dado sinais de que aquela rotina estava me desgastando muito, resolvi dar uma oportunidade pra ela. É, a facilidade bateu na porta e ficou. Usei a mamadeira e depois voltei pra sonda. Resolvemos que mamadeira foi um item facilitador da minha rotina que estava bem puxada.

Quero saber como uma mãe sabe muito mais que outras mães antes mesmo do bebê nascer.

Neste período minha mãe veio nos visitar! Era uma tal de bebe água, bebe chá e bebe suco, que eu não tenho ideia da quantidade de líquidos eu bebia por dia. A cada mamada era um combo: um copo de suco, outro de chá e uma garrafa de água. Nunca achei que meu leite era “fraco” sei que isso não existe. Mas a minha produção era pouca para a demanda da minha filha. E eu não percebi isso na época. Eu bebia bastante água, mas acho que a quantidade não era suficiente. Tudo o que falavam pra tomar (natural), eu tomei; suco de uva, caldo de cana, rapadura, até sardinha…. Hoje eu acredito que a insistência da minha mãe pra aumentar a minha ingestão de líquidos tenha sido determinante para o aumento da produção… Então eu continuei ofertando o complemento após as mamadas. Primeira consulta após o complemento ela havia ganho 55g por dia. Estava ótimo. Meu primeiro pensamento: vou reduzir o complemento. A confusão de bicos realmente existe. Minha filha já estava começando a ficar nervosa quando mamava no peito. Na mamadeira sai muito mais fácil. Mal encosta a boca e sai leite. No peito tem que fazer força, puxar…. E assim eu fiz: fui diminuindo a oferta da mamadeira, passei a dar 2x por dia, 1x e suspendi. Passei uns dois dias sem dar o complemento e tivemos outra consulta. Resultado: ela estava ganhando peso mesmo sem a fórmula. A pediatra confirmou o que eu já sabia: pode seguir com o aleitamento materno exclusivo!
Uma alegria sem explicação tomou conta de mim. Eu consegui! Nós conseguimos! E quando eu digo nós, inclui o marido também. Ele lutou comigo, da forma que podia, dando apoio, suporte e amparo. Antes de sair para trabalhar, ele já deixava tudo esterilizado, água fervida, separava em potinhos com a quantidade certa, na volta fazia a mesma coisa e cuidávamos juntos da nossa pequena.
Ah, e só pra constar, neste período eu tive fissura na mama, e uma mastite! Além de toda esta rotina insana, era uma dor, maior do que a dor do parto na hora de amamentar!

E porque eu resolvi escrever tudo isso? Porque eu me cobrei de uma forma surreal para que a minha filha tivesse aleitamento materno exclusivo. E no momento em que isso não foi possível, eu não quis aceitar. E eu sei que muitas mães passam por isso, e se de alguma forma a minha experiência servir de ajuda, auxílio ou consolo para apenas uma mulher que seja, eu fico feliz. Eu fui firme na minha decisão de amamentar. Mesmo quando tudo parecia estar desmoronando eu estava com o meu objetivo claro e definido. Se você tem o desejo de amamentar, não desista até esgotar todas as suas alternativas e possibilidades! E se não quer amamentar, tudo bem também! Temos o direito de fazer nossas escolhas sem o julgamento de ninguém. E se você quis, mas não pode, fique em paz com o seu coração, você fez o seu melhor! A maternidade, infelizmente, é feita de julgamentos. Eu fui julgada por não querer dar complemento, por não querer dar mamadeira, por insistir no aleitamento materno exclusivo. Tanta criança toma fórmula, é bem mais fácil! Só que eu não escolhi o caminho mais fácil. Eu escolhi o caminho que eu achava que seria melhor. Melhor pra mim, e melhor pra minha filha! Ah, e você que quer amamentar, informe seu parceiro. É essencial ter o apoio de quem está ao seu lado.

 

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5 Comments

  1. Jurema

    Fenomenal. Parabéns pela luta, mãe guerreira!

    • Obrigada! A alegria por conseguir é imensa, mas compartilhar esta história e saber que isso pode ajudar a outras mães, não tem preço

  2. Ana Paula

    Estou passando por isso e sendo muito persistente também. Muito bom ler os relatos, pois me motiva ainda mais e fico com a certeza de que vou conseguir também.

    • Não desista! Aguente firme! Eu costumo pensar assim: eles passam mais tempo sendo adultos do que bebês. Agora eles demandam muito. Amamentar pode ser cansativo, mas o benefício a longo prazo é imenso. Sem contar que é o melhor calmante para o bebê. Quando começam as quedas então, aqui é o que salva. Vem chorando, machucada, mas quando mama passa…rs
      Força, persistência e determinação. E se a minha experiência puder te ajudar de mais alguma forma, conte comigo!
      E se quiser mandar o seu relato para apoiar outras mães, pode mandar para o querosermae.com@gmail.com, os relatos são postados anonimamente.

  3. Aqui é a Solange De Oliveira, gostei muito do seu artigo
    tem muito conteúdo de valor, parabéns nota 10.

    Visite meu site lá tem muito conteúdo, que vai lhe ajudar.

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