Quero ser mãe, agora!

Se você ainda não viu a primeira parte desse  artigo – veja aqui: Quando eu quis ser mãe 

Como nada na vida é pra sempre, a minha decisão de não querer filhos, também não foi! Depois de toda a certeza do mundo que a maternidade não faria mais parte da minha vida, veio a vida e me deu uma rasteira. Perdi minha doce e amada vó, virou uma estrelinha e foi cuidar de mim lá de cima. (Não, eu não acredito que ela virou uma estrela e nem que ela está lá em cima, mas é  uma forma doce e bonita que eu achei de tranquilizar a minha mente e o meu coração do sofrimento que sua ausência me causa).

E a morte não vem sozinha, ela trás à tona lembranças, e para mim foram muitas lembranças! Lembrei das as vezes que ficávamos sentadas conversando sobre a maternidade, dos planos que fazíamos juntas, que eu deixaria meus filhos com ela enquanto eu iria pra farra e ela dizia que cuidaria com todo amor e carinho, mas que se eles fossem atentados que ela iria dar umas boas chineladas! E ela ainda dizia, que se eu engravidasse ela sempre estaria ao meu lado. Como na época eu era solteira, as nossas hipóteses eram baseadas nisso. E quando a menstruação atrasava? O diálogo era mais ou menos assim:

  • Eu: Vó do céu, minha menstruação está atrasada. Será que eu estou grávida? Meu pai vai me matar.
  • Vó: Vixe….. Mas minha filha, você não se cuidou não?
  • Eu: Me cuidei vó, mas está atrasada.
  • Vó: Tem nada não, se vier a gente cuida. Eu fico com ele pra você ir pra farra.

E com tantas lembranças eu comecei a lembrar do quanto eu queria ser mãe. Eu não queria ter um filho pra minha vó cuidar, até porque ela tinha Alzheimer, mas com certeza eu queria tê-la por perto pra ver um filho meu crescer. E isso hoje, não será mais possível.

Acho que a passagem da minha vó funcionou como um gatilho pra eu retomar o desejo de ser mãe. Fiquei pensando na vida e na morte, em quem você tem ao seu lado e percebi que eu queria sim ter um filho. Eu nunca fui uma pessoa muito ambiciosa, então foi tranquilo chegar até aonde eu queria, e comecei a perceber que eu queria ser uma pessoa melhor, pra ter coisas boas pra ensinar, percebi que eu passei muito tempo aprendendo e vivendo pra deixar tudo isso morrer comigo, sem alguém pra ensinar, pra repassar o meu conhecimento o meu amor e as minhas lições de vida.

Por que eu quero ser mãe? Esta é uma pergunta que não tem resposta certa. Tem a minha resposta e a minha resposta é a certa pra mim. Quero poder gerar alguém, alimentar, cuidar, educar, ensinar, amar. Quero passar pela experiencia de ter alguém sendo gerado no meu ventre, parir, fornecer o alimento que vai sustentar, quero poder dar banho, amar, mimar, quero ensinar a falar, a contar, ler, escrever, ser uma pessoa boa,  ser independente, e repassar os ensinamentos e educação que me foram dados. Começo a achar muito egoísta da minha parte saber e sentir tudo isso e deixar acabar junto comigo.

Se hoje eu me imagino mãe? Hoje não. Ainda tenho algumas coisas pra fazer e lugares pra ir antes da maternidade. Ah, mas se eu for mãe agora vai me impedir de realizar estas coisas? Não. Mas quero aproveitá-las na plenitude, sem preocupações e podendo me dedicar integralmente a elas e à maternidade quando for a hora.

Resolvida a questão da maternidade na minha vida, eu tinha outro desafio, e que seria um enorme desafio. Meu marido não queria ser pai. Este foi um dilema muito árduo pra mim, porque eu sabia do desejo dele de não ser pai, então eu estava com um problema, porque como eu iria ter um filho sabendo que meu marido não queria?

Acho que esta é uma parte da minha vida que eu não sei narrar, não sei se tenho certeza de como as coisas aconteceram. Eu tinha uma amiga que estava grávida, e eu acompanhei de perto a sua gestação, fui visitá-la no hospital quando a filha nasceu, em casa, e algumas vezes fiquei cuidando dela em casa para minha amiga ir trabalhar. Pouco tempo depois, minha prima ficou grávida, e cada uma das duas que eu via, ou acompanhava, acho que meu marido me observava, e sei lá, eu devia ficar com cara de boba olhando as crianças, ou coisa assim, e ele me conhece, e como me conhece um gesto ou um olhar ele já sabe o que estou pensando ou querendo, e acredito que neste momento ele começou a perceber que o desejo de ser mãe estava se tornando mais intenso.

E teve um dia que eu criei coragem e conversei com ele. No fundo eu achava injusto da minha parte querer isso dele, porque eu casei sabendo que ele não queria ser pai, embora eu sempre tivesse achado que ele seria um ótimo pai, se fosse pai um dia. Mas a vida é assim , não dá pra planejar tudo e nem ter certeza de todas as coisas que estão ao nosso redor, mudar faz parte da vida! E em um casamento as coisas precisam ser conversadas, e como eu havia mudado de ideia em relação a maternidade, eu precisava conversar com ele, pelo menos deixá-lo ciente de que eu havia mudado de ideia. E esta decisão seria dele, de termos ou não um filho. E quando conversamos, ele me disse que tinha certeza que este dia chegaria, o dia que eu iria falar que queria ser mãe. Ele me pediu apenas um tempo para aceitar a ideia, mas que sim, que seria o pai do meu filho.

Naquele momento, por todo o amor e carinho envolvido naquela cena, eu tive a certeza que quando chegasse a hora de ter o nosso filho, ele seria muito bem vindo e muito amado! Decidimos esperar o prazo da retirada do DIU pra começar a tentar engravidar. O que vai acontecer no final de 2020. Prazo suficiente para concluirmos alguns projetos!

Bom, agora que já ficou clara a minha briga com a decisão sobre a maternidade, vamos aos passos que quero seguir até chegar a tão esperada e sonhada gestação! Como a ideia depois do casamento era não ter filhos, optei por colocar um DIU. Que será assunto do próximo tema. Leia aqui: Prevenindo a Gravidez com DIU Mirena

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2 Comments

  1. Gabi

    Adorei o texto! Eu tb passei anos não querendo filhos, mudei de idéia esse ano e estamos nos planejando, juntando dinheiro,
    fazendo viagens que não daria com crianças para depois eu parar o anticoncepcional, decidimos para eu engravidar em 2019. Meu marido já tem 3 filhos então já passou por muita coisa, ele vai me ajudar muito com a nova experiência. Estou bem empolgada para essa nova fase da vida, fico contando os meses para realizar!

    • Obrigada Gabi!
      Entendo bem esta empolgação, a gente começa a ler sobre tudo, se programar e se preparar para esta nova etapa, tão cheia de encantos e mistérios!
      Pode ser que tenhamos na mesma época 🙂

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